Quem convive com a fibromialgia sabe que a dor é apenas uma parte do problema. Fadiga intensa, dificuldade de concentração (“fibro fog” ou névoa mental), distúrbios do sono, enxaquecas, alterações intestinais e sensibilidade a diversos estímulos fazem parte da rotina de muitas pessoas.
Apesar dos avanços na medicina, a fibromialgia continua sendo uma condição complexa, e provavelmente não existe uma única causa capaz de explicar todos os casos. Nos últimos anos, porém, pesquisadores passaram a investigar um possível fator que pode estar presente em parte dos pacientes: a deficiência da enzima DAO (Diamina Oxidase) e a consequente intolerância à histamina.
Mas afinal, qual é essa relação? E será que suplementar a enzima DAO pode ajudar?
Neste artigo, você entenderá o que as pesquisas mais recentes mostram – em especial um estudo conduzido por pesquisadores ligados à Universidade Federal do Tocantins, publicado em abril de 2026 no Frontiers in Pain Research, Neuropathic Pain.
O que é a enzima DAO?
A Diamina Oxidase (DAO) é uma enzima produzida principalmente no intestino e tem como principal função degradar a histamina proveniente da alimentação.
A histamina é uma substância naturalmente produzida pelo organismo e também encontrada em diversos alimentos, como:
- queijos maturados;
- embutidos;
- bebidas alcoólicas;
- alimentos fermentados;
- frutos do mar;
- alguns vegetais (como berinjela, espinafre e tomates) e frutas (como abacate, mamão e frutas cítricas).
Em pessoas com atividade normal da DAO, essa histamina é rapidamente degradada.
Entretanto, quando existe uma deficiência da enzima – seja por fatores genéticos, doenças intestinais, uso de determinados medicamentos ou outros fatores – a histamina pode se acumular no organismo, favorecendo o aparecimento de diversos sintomas.
O que é intolerância à histamina?
A intolerância à histamina acontece quando o organismo não consegue degradar adequadamente a histamina ingerida.
Isso não significa que a pessoa tenha alergia alimentar.
Na verdade, trata-se de um desequilíbrio entre a quantidade de histamina presente no organismo e a capacidade de eliminá-la, principalmente através da enzima DAO.
Os sintomas podem incluir:
- dores de cabeça ou enxaquecas;
- fadiga;
- dores musculares;
- distensão abdominal;
- gases;
- diarreia;
- náuseas;
- vermelhidão da pele;
- coceira;
- urticária;
- congestão nasal.
Perceba que muitos desses sintomas também são frequentemente observados em pessoas com fibromialgia.
Foi justamente essa sobreposição que despertou o interesse dos pesquisadores.
Existe relação entre deficiência de DAO e fibromialgia?
A resposta mais correta hoje é:
Sim, existe uma associação promissora, mas ela provavelmente ocorre apenas em um grupo de pacientes com fibromialgia – e não em todos.
A fibromialgia continua sendo considerada uma doença multifatorial, envolvendo alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso, fatores genéticos, hormonais, imunológicos e ambientais.
A deficiência de DAO não é considerada a causa da fibromialgia.
Entretanto, pesquisadores observaram que alguns pacientes apresentam sinais claros de intolerância à histamina, o que pode contribuir para agravar parte dos sintomas.
Essa hipótese vem sendo fortalecida por estudos genéticos, pesquisas clínicas e ensaios com suplementação da enzima DAO.
O que os estudos científicos descobriram?
Uma revisão científica publicada em 2026 reuniu as principais evidências disponíveis sobre deficiência de DAO e fibromialgia.
Os pesquisadores observaram que:
- variantes genéticas relacionadas ao gene AOC1, responsável pela produção da DAO, foram mais frequentes em pacientes com fibromialgia;
- quanto maior o número dessas variantes, maior tendia a ser a intensidade dos sintomas em alguns estudos;
- pacientes com fibromialgia frequentemente apresentam sintomas compatíveis com intolerância à histamina, especialmente alterações gastrointestinais, enxaquecas e manifestações cutâneas;
- pessoas com fibromialgia também apresentam maior frequência de outras condições relacionadas à histamina, como alergias e prurido crônico.
Esses achados sugerem que o metabolismo da histamina pode desempenhar um papel importante em um subgrupo específico de pacientes.
O estudo clínico com suplementação de DAO
Um dos estudos mais relevantes até o momento avaliou mulheres com fibromialgia durante oito semanas em um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo.
As participantes mulheres receberam suplementação de DAO antes das principais refeições ou placebo.
Os resultados mostraram melhora significativa em diversos sintomas relacionados à intolerância à histamina, incluindo:
- distensão abdominal;
- desconforto digestivo;
- dor abdominal;
- náuseas;
- coceira;
- manifestações cutâneas.
Além disso, os questionários que avaliam o impacto da fibromialgia também apresentaram melhora maior no grupo que utilizou a enzima DAO em comparação ao placebo.
Embora esses resultados sejam bastante animadores, os próprios pesquisadores destacam que ainda são necessários estudos maiores para confirmar esses benefícios.
Quem pode se beneficiar mais da enzima DAO?
As evidências atuais sugerem que a suplementação pode ser especialmente interessante para pacientes com fibromialgia que também apresentam sintomas como:
- inchaço abdominal frequente;
- gases;
- intestino sensível;
- enxaquecas recorrentes;
- urticária;
- coceira sem causa aparente;
- vermelhidão da pele;
- piora dos sintomas após determinados alimentos.
Segundo a revisão científica mais recente, esse grupo parece representar um fenótipo específico de fibromialgia associado à intolerância à histamina.

A suplementação de DAO cura a fibromialgia?
Não.
Até o momento, nenhum estudo demonstrou que a enzima DAO seja capaz de curar a fibromialgia.
O que as pesquisas sugerem é que ela pode atuar como uma estratégia complementar para pessoas que apresentam deficiência da enzima ou sinais de intolerância à histamina.
Nesses casos, reduzir o excesso de histamina pode contribuir para diminuir alguns sintomas e melhorar a qualidade de vida.
A alimentação também faz diferença?
Sim.
Em muitos casos, a suplementação de DAO é associada a uma alimentação com menor teor de histamina.
O objetivo não é eliminar completamente alimentos saudáveis, mas identificar aqueles que desencadeiam sintomas em pessoas mais sensíveis.
Essa abordagem deve ser individualizada e, sempre que possível, acompanhada por um médico ou nutricionista.
Conheça as opções de enzima DAO da Farmácia Sempre Viva
Se você suspeita que seus sintomas possam estar relacionados à intolerância à histamina, converse com um profissional de saúde sobre a possibilidade de avaliar a atividade da enzima DAO e a indicação da suplementação.
Na Farmácia Sempre Viva, você encontra diferentes opções para atender às necessidades de cada pessoa:
- NutroDAO® : enzima DAO de origem animal, desenvolvida para auxiliar na degradação da histamina proveniente da alimentação.
- NutroDAO® Vegetal: alternativa de origem vegetal para quem prefere uma formulação sem ingredientes de origem animal.
- AdiDAO Veg®: outra opção vegetal voltada ao suporte da degradação da histamina, ideal para pessoas que seguem uma dieta vegetariana ou vegana, ou mesmo pacientes que se sentem melhor fazendo uso da enzima DAO de origem vegetal ao invés da enzima de origem animal.
A escolha da formulação deve considerar as necessidades individuais e a orientação do profissional responsável pelo acompanhamento.
Conclusão
A relação entre deficiência da enzima DAO e fibromialgia é uma das áreas mais promissoras da pesquisa sobre dor crônica.
As evidências atuais indicam que nem todos os pacientes com fibromialgia apresentam deficiência de DAO, mas existe um grupo que parece compartilhar características de intolerância à histamina e pode se beneficiar de abordagens direcionadas ao seu metabolismo.
Embora ainda sejam necessários estudos maiores para consolidar essas descobertas, os resultados disponíveis mostram que avaliar a intolerância à histamina pode representar um novo caminho para pacientes que continuam apresentando sintomas importantes, especialmente quando associados a alterações gastrointestinais, enxaquecas, manifestações cutâneas ou baixa resposta aos tratamentos convencionais.
Fica aqui registrado nossos parabéns aos pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins, que estão produzindo ciência com propósito de ajudar as pessoas.
Referência:
Protásio Netto J, Lana JF, Parma A, Costa FR, de Andrade RM, Castro MGM and Tambelli C (2026) Is histamine intolerance a treatable subtype of fibromyalgia? evidence and clinical implications—narrative review. Front. Pain Res. 7:1786437. doi: 10.3389/fpain.2026.1786437

