Altas doses de vitamina D no tratamento de doenças autoimunes, conheça o Protocolo Coimbra

Diversos estudos têm sido publicados relacionando deficiência de vitamina D às doenças autoimunes devido ao efeito imunomodulador da Vitamina D. Confira as doenças autoimunes relacionadas à deficiência de vitamina D e como sua suplementação proporciona função imunitária de pacientes com estas patologias.

@selvan548 via unsplash

A vitamina D e seus pró-hormônios têm sido alvo de um número crescente de pesquisas nos últimos anos, demonstrando sua função além do metabolismo do cálcio e da formação óssea, incluindo sua interação com o sistema imunológico, o que não é uma surpresa, tendo em vista a expressão do receptor de vitamina D em uma ampla variedade de tecidos corporais como cérebro, coração, pele, intestino, gônadas, próstata, mamas e células imunológicas, além de ossos, rins e paratireoides.

Estudos atuais têm relacionado à deficiência de vitamina D com várias doenças autoimunes, incluindo diabetes melito insulino-dependente (DMID), esclerose múltipla (EM), doença inflamatória intestinal (DII) e artrite reumatoide (AR). Diante dessas associações, sugere-se que a vitamina D seja um fator exterior capaz de afetar a prevalência de doenças autoimunes.

Efeitos imunomoduladores da vitamina D

Embora historicamente a vitamina tenha sido associada à regulação do metabolismo ósseo, é agora evidente que a vitamina D esteja envolvida em muitos processos biológicos que regulam as respostas imunitárias.

Houve um crescente interesse em possíveis efeitos imunomoduladores da vitamina D desde os receptores de vitamina D serem descobertos pela primeira vez em monócitos e, posteriormente, em células dendríticas e células T ativas. Os estudos in vitro mostraram que a vitaminas D inibe a atividade pró-inflamatória das células Th1 CD4+ e a sua produção de citocinas, tais como IL-2, interferon (IFN)-, e fator de necrose tumoral – α. Em adição aos seus efeitos anti-inflamatórios, a vitamina D também promove resposta Th2, aumentando a produção de IL-4, IL-5 e IL-10, desviando, assim, o comportamento de células T a partir de um estado inflamatório Th1 para um estado mais regulado Th2 e anti-inflamatório. Alguns estudos relataram que a vitamina D poderia aumentar atividade T regulatória e suprimir a resposta Th17.

Curiosamente, a vitamina D não é apenas necessária para o desenvolvimento de células natural killer T (NKT), mas também aumenta a produção de IL-4 e IFN- de células NKT. Logicamente, estes extensivos efeitos da vitamina D em múltiplas linhagens de células imunológicas sugerem fortemente que a vitamina D possa desempenhar papel importante em distúrbios imunomediados em autoimunidade.

Artrite reumatoide (AR)

O fundamento que relaciona a deficiência de vitamina D e AR se baseia em dois argumentos: existem evidências de que ocorre deficiência de vitamina D em pacientes com Artrite Reumatóide e a presença de 1,25(OH)2D3 e do receptor de vitamina D em macrófagos, condrócitos e sinoviócitos nas articulações destes pacientes.

Doença inflamatória intestinal (DII)

Níveis séricos diminuídos de 25(OH)D têm sido descritos nas DII. Estudo encontrou deficiência de vitamina D em 27% dos pacientes com doença de Crohn e 15% dos com colite ulcerativa.  A causa da deficiência de vitamina D em DII parece ser devido à combinação de baixa ingestão e má absorção de vitamina D, e menor exposição solar.

Esclerose múltipla (EM)

Alguns estudos têm demonstrado a associação de deficiência de vitamina D também em pacientes com EM e o seu papel não somente na diminuição das taxas de recidiva, como também na prevenção do seu surgimento. Em indivíduos, o risco de EM diminui significativamente (em até 40%) naqueles com alta ingestão de vitamina D.

Diabetes mellitus tipo 1 (DM1)

Estudo demonstrou que a deficiência de vitamina D acelera o início do DM1, ao mesmo tempo em que, a suplementação precoce vitamina D, reduz a insulina autoimune e previne o desenvolvimento de diabetes. Estudos epidemiológicos têm mostrado que a suplementação de vitamina D na infância pode reduzir o risco de desenvolvimento da DM11.

Ações da vitamina D no sistema imunológico

Além do seu papel na homeostase do cálcio, acredita-se que a forma ativa da vitamina D apresenta efeitos imunomoduladores sobre as células do sistema imunológico, sobretudo linfócitos T, bem como na produção e na ação de diversas citocinas. A interação da vitamina D com o sistema imunológico vem sendo alvo de um número crescente de publicações nos últimos anos, relacionando sua deficiência às doenças autoimunes.

Estudo duplo-cego e placebo controlado avaliou a influência de altas doses da suplementação de vitamina D3 na função imune de adultos saudáveis.

Neste estudo, 60 voluntários saudáveis foram submetidos ao seguinte protocolo:
Grupo 1:
Administrar 140.000UI/mês, durante 3 meses.
Grupo 2:
Placebo, igual dose de óleo de amêndoa.

Avaliou-se o número e função das células T regulatórias. Também foram avaliados a segurança clínica da suplementação e o efeito sobre a frequência de outras células do sistema imunológico, tais como monócitos, células dendríticas, células natural killer (NK), células natural killer T (NKT), células B e subgrupos de células T. Ainda foi testado in vitro o efeito da vitamina D3 em células T regulatórias (Treg) em culturas de células humanas.

Resultados:

  • O nível sérico de vitamina D aumento significativamente no grupo que recebeu altas doses de vitamina D ao final de 3 meses sem causar efeitos adversos;
  • A porcentagem média de Treg CD4pos aumentou significativamente no grupo que recebeu vitamina D. Comparações entre os grupos revelaram porcentagem significativamente maiores de Treg CD4pos após 8 e 12 semanas no grupo vitamina D comparado ao grupo placebo;
  • A alta suplementação de vitamina D não aumentou significativamente a atividade supressora e apoptose das Tregs periféricas;
  • A frequência de subtipos de células T, tais como a memória CD4pos ou células naive, memória CD8pos, células duplo positiva CD4CD8 e células CD8posCD25pos não se alteraram significativamente em nenhum dos dois grupos;
  • Também, a suplementação de vitamina D não influenciou a frequência de granulócitos, neutrófilos, monócitos, células B, células NK, células NKT e células dendríticas mielóides e amiloides;
  • Na exposição in vitro, a vitamina D proporcionou tendência ao aumento da porcentagem de Treg CD4pos, com proliferação estável.

Estudo que avaliou o efeito da suplementação de alta dose de vitamina D3 (140.000/mês durante 3 meses) na frequência de Treg em indivíduos saudáveis demonstrou que a elevada ingestão desta vitamina proporciona aumento significativa da %Treg, assim como demonstrado no estudo anterior.

O resultado do estudo indicou um efeito substancial da suplementação de vitamina D no sistema imunológico em seres humanos saudáveis.

Estudos evidenciam que a deficiência de vitamina D influencia nas doenças autoimunes.

Estudos demonstram que a deficiência de vitamina D e a sua suplementação proporcionam efeito sobre a função imunitária em diversas patologias autoimune.

O Protocolo Coimbra: altas doses de Vitamina D para tratamento de doenças autoimunes

Desenvolvido pelo Dr. Cicero Galli Coimbra, neurologista e professor da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), o Protocolo de Coimbra é uma abordagem terapêutica que depende de altas doses de vitamina D para interromper os ataques equivocados do sistema imunológico e tem permitido que milhares de pacientes ao redor do mundo consiga manter suas doenças auto-imunes em remissão permanente (sem desenvolvimento de sintomas da doença autoimune).

Dr. Cícero Coimbra

O Protocolo de Coimbra exige doses de vitamina D que variam de 40.000 UI a 200.000 UI por dia. Normalmente, a dose fica em torno de 1.000 UI por quilograma do peso do paciente por dia. Como essas doses extrapolam em muito o permitido para venda de suplementos industrializados (2.000 UI por dia), a escolha de uma Farmácia de Manipulação de confiança, como a Sempre Viva, é um grande aliada para o sucesso do tratamento. 

Durante o tratamento, os níveis de vitamina D podem variar de 300 a 4.000 ng / ml. Isso está bem acima da faixa normal listada pelos laboratórios, que é 30 – 100 ng / ml.

Só o médico pode determinar se um paciente é um bom candidato para seguir o Protocolo de Coimbra. Certas condições podem precisar ser tratadas antes que o paciente possa tomar altas doses de vitamina D, como problemas renais ou de tireoide, entre outros. Existem algumas doenças, como a sarcoidose, que podem tornar o paciente anormalmente sensível à vitamina D. Em geral, a grande maioria dos pacientes poderá seguir o Protocolo de Coimbra, mas apenas o médico pode avaliar os seus problemas de saúde antes de iniciar o tratamento.

Os médicos irão solicitar exames diferentes dependendo das necessidades específicas de cada paciente. Segundo o Dr. Coimbra, as medidas mais importantes no protocolo são o PTH e o cálcio urinário de 24 horas. Outras medidas usualmente solicitadas são cálcio total e ionizado, 25 (OH) D3, vitamina B12, uréia e creatinina, albumina, ferritina, cromo sérico, fosfato sérico e fosfatúria 24 horas, entre outros.

Segundo o Dr. Coimbra, a vitamina D é responsável por 95% do sucesso do tratamento. Com isso dito, os médicos prescrevem outros suplementos. A lista de suplementos e suas respectivas doses variam de paciente para paciente, mas os mais comuns são complexo B, riboflavina, B12, ômega-3, magnésio, colina, picolinato de cromo.

Envie sua receita do Protocolo Coimbra para ser manipulada na Farmácia Sempre Viva.

Médicos que utilizam o Protocolo de Coimbra – clique aqui para ver o Google Maps com detalhes de cada médico que atende protocolo (atualizado em Julho de 2021).

Referências

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Vivian Costa
Olá, sou a Vivian Costa, Farmacêutica, apaixonada por saúde preventiva, antienvelhecimento e beleza, com foco para minha Farmácia de Manipulação; a Sempre Viva. Estou sempre atenta às novidades, adoro desenvolver novas fórmulas e vou compartilhar um pouco de tudo com vocês. Veja um pouco da minha trajetória em: https://blog.farmaciasempreviva.com.br/curriculo/
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